27 de fev. de 2008

"Humaitá Pra Peixe, semana 1". Enviado em 15/1 para o site Coquetel Molotov. Publicado com alterações em 8/2 na seção "Matérias".


Maquinado no HPP08: "computer love"

Humaitá Pra Peixe 2008

fotos: Fosforeto

Em sua edição 2008, o festival carioca aconteceu entre os dias 4 e 31 de janeiro, com atividades todos os dias. Os principais shows aconteceram de sexta a domingo, na Sala Baden Powell, em Copacabana, bairro da Zona Sul do Rio. Mas, na programação, houve ainda oficinas, debates, talk-shows e lançamentos de discos. No total, o festival ocupou seis espaços diversos, todos na Zona Sul, epicentro cultural da cidade. Essa foi a primeira vez, em 14 anos de evento, que o HPP acontece fora do Espaço Cultural Sérgio Porto, no bairro do Humaitá. O teatro sofreu incêndio em maio e passa por reformas.

Entre os 22 artistas anunciados para o palco principal, há destaques do cenário independente nacional: os mato-grossenses Vanguart (foto) e Macaco Bong, Superguidis (RS) e Manacá (RJ), por exemplo. Mas há espaço também para revelações da MPB e do samba (Roberta Sá, Diogo Nogueira), sucessos radiofônicos (Strike e Jay Vaquer) e até para fenômenos da internet, como João Brasil. O ecletismo da escalação combina com o formato do Humaitá Pra Peixe: a cada dia, apenas dois shows, possivelmente com afinidades entre si. Juntos, formato e escalação levam o HPP para longe dos padrões de seus colegas de Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes).


Vanguart no HPP08: "ruídos"

Computer love – Mas, no quesito “versão improvável”, nada supera o show do pernambucano Maquinado, o último do domingo, 6. No repertório do grupo de Lúcio Maia, o guitarrista da Nação Zumbi, cabiam interpretações de Nelson Cavaquinho ou Serge Gainsbourg. No momento mais explicativo da noite, apareceu Kraftwerk, “Computer Love”. Afinal, o lugar-tema de Maquinado é o espaço entre orgânico e eletrônico, sua música explora era zona de contato. Como? Usando atabaques e vocal reggae para reler os robóticos inventores da música eletrônica, por exemplo. Não bastassem surpresas assim, ainda teve o bis. Ao ser chamado de volta para o palco, Lúcio engrenou um discurso anti-Papa, anti-religião, anti-establishment, anti-tudo: “pau no cú do papa”, ele soprava em seu Korg, no refrão.

Ruído – Problemas no som, de resto raros no Humaitá Pra Peixe, deram uma rasteira no Vanguart, logo no começo do show, o último do sábado, 5. O energético country-rock “Hey Yo Silver”, número de abertura, chegou a ser interrompido. Depois, demorou um pouco até que tudo corresse normalmente. Outros ruídos pontuaram a apresentação e, na segunda metade, o vocalista Helio Flanders cantou “The Last Time I Saw You” sozinho: voz, violão e gaita. Teria sido perfeito não fosse o falatório que ecoava do corredor para dentro da sala. Finalizando o show, o sub-sucesso “Semáforo”, seu final demolidor, com toda sorte de guitarras gritantes e Helio derrubando o microfone num arroubo de roqueiro, raro na apresentação.

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Escrito para a assessoria do Grito Rock em 05/02 e publicado no mesmo dia, no Espaço Cubo Digital. Também divulgado via email.



Menina faz mosh durante show do Montage no GR Cuiabá 08

Grito Rock, dia 4
Montage e Vanguart levam o público à histeria

Fotos: Renato Reis

Já era terça-feira de Carnaval quando o Grito Rock Cuiabá chegou ao fim. Já passava de cinco da manhã quando o Vanguart deixou o palco, depois de show aplaudidíssimo. Essa segunda-feira de Grito Rock foi, dos quatro dias de evento, o que teve maior público. De acordo com a produção, mais de 900 passaram pelo Clube Feminino, na região central de Cuiabá.

Headliners - Inegavelmente, os dois shows principais colaboraram muito pra isso. Ao contrário dos dias anteriores, os headliners (shows-destaques que encerram a noite) tocaram para casa cheia. Vanguart e Montage têm desafiado os limites entre o que se chama independente e o que se chama mainstream. As duas bandas têm presença freqüente nos veículos da grande mídia, foram escaladas para o TIM Festival (de orçamento milionário e repercussão nacional) e tocaram para públicos histéricos nesse Grito Rock. Gente que sabia as letras de cor e certamente não contou com o rádio para ajudar na memorização.

Jogo ganho - O Montage tocou em Cuiabá pela primeira em junho de 2007. Eles foram escalados para o Volume Festival, realizado num clube, a Casa Fora Do Eixo. De lá pra cá, apenas mais um show, no Calango 2007. Daí ser surpreendente, sobretudo numa cidade que não tem a cultura clubber que geralmente movimenta os fãs do grupo, o entusiasmo com que o Montage foi recebido. Mesmo antes de o show começar, uma boa centena de fãs se amontoava em frente ao palco, soltando gritos a cada movimento no palco, enquanto os ajustes de som eram feitos. Quando finalmente o vocalista Daniel Peixoto começou os primeiros versos – palavras de ordem punk, na verdade - de “I Trust My Dealer”, o jogo já estava ganho.


Montage no GR Cuiabá 08

Aposta 1 - Não foram só bandas já estabelecidas como Montage e Vanguart que desafiaram os limites do independente nesse último dia de Grito Rock. Com melodias de forte apelo pop sobre um instrumental que mistura pós-punk oitentista com indie americano dos anos 90, os mineiros do Monno tiveram boa aceitação do público. Os melhores momentos foram os números de andamento mais acelarado e dançante. O grupo deve lançar novo EP em março e, com sua combinação de melodias pop, letras sentimentais e poderosas apresentações ao vivo, é boa aposta para 2008.

Burburão - O Grito Rock Cuiabá foi ocasião de festa. Em especial, para Bárbara Rosa, a moça de revoltosos cabelos loiros que passou os quatro dias do evento numa banquinha, no fundo do salão. O motivo para a festa: há um ano, no Grito Rock 2007, ela começava sua grife alternativa, a Padam. “Eu queria fazer alguma coisa, fazia uns dois anos que eu não criava nada, eu queria fazer um burburinho”, ela diz. Desde então, Bárbara já expôs/vendeu em três festivais do Circuito Fora Do Eixo e colaborou com bandas como o MQN e Macaco Bong. Deu pra fazer o burburinho? “‘Inho’, deu. Mas há possibilidades de um ‘burburão’”.

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8 de jan. de 2008



todas as fotos são do
Fosforeto




Umas poucas mudanças e o Humaitá Pra Peixe se transformou num festival de rock independente. Ou, pelo menos, em algo mais próximo do que geralmente se espera de um evento assim. É claro, as atrações emepebistas de sexta foram substituídas pelo folk-rock do Vanguart e o axé-rock (?) do Do Amor. Mais, numa repentina mudança climática, o sol foi embora e uma chuva forte caiu sobre Copacabana, sumindo com os banhistas/pedestres do dia anterior. Do lado de dentro da Sala Baden Powell, sumiram umas 200 pessoas (público estimado de 400, contra 600 do dia anterior). Entre elas, os tradicionais velhinhos do bairro, que haviam tido presença marcante na sexta e eram raros nesse segundo dia, e muitos dos vestidos floridos, as fãs de Roberta Sá. Por fim, um clássico de festival de rock, houve até problemas de som, uns apitos no começo do show do Vanguart.

As cadeiras (500 delas), porém, continuaram lá. Mas nada contra elas. Em entrevistas, público e artistas têm se declarado entusiastas da idéia de fazer um show para teatro, com público sentado. Comenta-se a nova relação da platéia com a apresentação, em relação à arena do Sérgio Porto, que está em reformas após incêndio, onde todas as 13 edições anteriores do Humaitá Pra Peixe aconteceram. Essa nova ordem ficou bastante explícita na noite de sábado. Do Amor, banda ainda razoavelmente desconhecida , apresentou seu show a um público curioso, mais observador e quieto de início. Mais tarde, em entrevista, o guitarrista Gabriel Bubu compararia a experiência a “um clipe dos anos oitenta em que há uma banda no palco e, na platéia, apenas múmias sentadas nas cadeiras”. (Você sabe que vídeo é esse? Deixe um comentário!) Só humor: no fim da apresentação ‘Do Amor, a platéia urrava e aplaudia como poucas múmias poderiam fazer.



Vanguart



E o momento mais emocionante da noite só poderia mesmo ter acontecido num teatro. Lá pela metade do show do Vanguart, todos os integrantes do grupo deixam o palco. O diminuto vocalista Helio Flanders está sozinho. Ele troca de violão, lentamente ajusta uma gaita ao seu pescoço, o público em silêncio, olha em volta: “assim, fico até sem-graça”, Helio diz. Ele canta “The Last Time I Saw You”, a faixa 13 do primeiro disco, homônimo, lançado em agosto passado via Outracoisa. Durante uns cinco minutos, Helio controla a platéia, exercitando seus dotes de contador de histórias, mudando o andamento, soprando a gaita, articulando ao máximo frases como “The 6th time I saw you | I was properly insane | From the whisky I had drunk | And the joint I had smoked” (algo como “da 6a. vez em que te vi | eu estava completamente louco | por causa do uísque que eu tinha bebido | e o baseado que eu tinha fumado”). E baixando o tom de sua voz e de seu violão até que o teatro todo ficasse em silêncio, a algaravia do corredor invadindo-o, um silêncio tenso que o vocalista quebraria com a gaita e o público com palmas e gritos, que tinham em si um certo alívio: o silêncio tinha acabado.

O show inteiro foi mais ou menos assim, razoavelmente silencioso, calmo, poucas coisas ditas ao microfone, uma canção, um breve intervalo, outra canção. Talvez seja isso o que levou um homem a gritar, já quase no fim da apresentação: “rock and roll!”, em tom de demanda. “Toca Raul”, alguém gritou logo depois, e “High School Musical”, pediu um gaiato. Fora esse último, os outros foram atendidos. Vanguart terminou seu show com a destrutiva “Semáforo” e, no bis, a banda tocou... Raul! A escolhida foi “Medo De Chuva”, que a o grupo tocou no programa Som Brasil, da Rede Globo, uma homenagem a Raul Seixas que deve ser reprisada hoje à 01:20 (na verdade, de hoje para amanhã). Por fim, o acelerado country-rock “Outlaw Blues”, uma versão para Bob Dylan.



Do Amor



Dylan certamente é uma escolha mais tradicional para versão que aquela que o Do Amor fez para encerrar sua apresentação: Tears For Fears (synth-pop radiofônico americano, duo clássico dos anos 80). Numa surpreendente versão de “Sowing The Seeds Of Love”, com direito a tradução simultânea para o português. Por que fazer essa versão? A banda elabora algumas teorias, de novo com uma referência a videoclipes. “A gente viu eles tocando isso ao vivo, já velhos, e eles pareciam muito o Ween (banda americana, alternativa, dos anos 80, influência no som ‘Do Amor)”. Marcelo Callado, Tears For Fears é uma influência pra vocês? O baterista responde, numa entrevista no camarim: “não! Eu nunca ouvi Tears For Fears, nunca gostei de Tears For Fears, mas quando sugeriram, fez todo o sentido e, quando a gente toca, faz mais sentido ainda”, se anima. O guitarrista Gabriel Bubu completa: “eu tinha uma tia relativamente hippie (?) que, quando viu esse clipe, numa fita de vídeo gravada da MTV americana, curtiu muito as animações”.



A conversa dá uma idéia do que é Do Amor: pós-modernismo, a banda pós-tropicalista em que tudo cabe, na qual se misturam elementos amplamente aceitos como “bons” (como o rock independente americano dos anos 90) e outros elementos que, numa banda qualquer, apareceriam apenas de forma irônica (como a axé music), mas aqui aparecem de forma... icônica (com significados pessoais). O também guitarrista Gustavo Benjão simplifica: “a gente não tem vergonha de se mostrar”.

No palco, Do Amor é a típica banda carioca: a postura descompromissada, o bom-humor, as barbas mal feitas e as bermudas. Mas um pouco mais incisiva, nos momentos em que, à Sonic Youth, o que importa é o barulho da guitarra e os vocais quase falados. No outro extremo, as influências de axé music e outros ritmos populares garantem momentos dançantes e divertidos como “Pepeu Baixou Em Mim”, que antecedou “‘Seeds Of Love” no fechamento do show.





+É hoje_ Então, anote no seu post-it: quarta, à 01:20 (madrugada de terça pra quarta). É quando a Rede Globo reprisa o programa Som BrasilRaul Seixas. A atração foi ao ar originalmente em agosto último e teve Anna Luisa, Móveis Coloniais de Acaju, Lobão e Vanguart tocando Raul.

+Nova_ Logo após “The Last Time I Saw You”, já a banda completa, o Vanguart apresentou uma nova música. É um blues razoavelmente tradicional e de andamento moderado, de quando em quando apimentado por sopros de gaita contrastando com um dedilhado delicado no teclado. Ou golpes violentos ao violão, a mão esquerda de Helio passeando pelo braço do instrumento. No refrão: “you know me so well, I know you as well” (algo como “você me conhece tão bem, eu te conheço também”, já com rima!)



+Cabotino 1_ Antes de apresentar a música nova, Helio disse que o Vanguart tinha feito muitos shows recentemente no Rio e que o amigo Pedro Acosta reclamava que nunca tinha música nova. Pronto, falei!

+Cabotino 2_ Algo que aprendi colando links em comunidades para promover este blog foi que o número de pessoas interessadas em saber o que é o Arquivo Acosta é três vezes menor que o número de pessoas interessadas no meu perfil do Orkut.

+Mosh_ Sabe quem causou no show ‘Do Amor, pulando do palco e fazendo moshes muito loucos? Pablo, de cinco anos, filho do baixista Ricardo Dias Gomes. Arazo. (Foto abaixo)



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4 de jan. de 2008

Começa hoje a 14a. edição do Humaitá Pra Peixe , o festival de música independente mais importante do Rio. A programação de 2008 faz quase um apanhado dos "melhores de 2007", entre destaques da nova MPB, elogiadas bandas do circuito independente e hypes absurdinhos (na ordem, Roberta Sá, Vanguart e João Brasil, só para citar exemplos). A seguir, alguns shows que este blog não vai perder.



Macaco Bong - "Bananas For You All"



1. Um show do Macaco Bong desafia: quem não gosta de música instrumental tem que resistir pra não gostar do que ouve; quem se diz grande conhecedor de música vasculha os arquivos na tentativa de encontrar as influências do grupo; quem não gosta do som do Macaco precisa se esforçar para não admitir que o que se vê no palco é mesmo arrebatador. Guitarra, contrabaixo e bateria: a simplicidade de elementos não denuncia a incrível massa sonora que vem do palco. O show do Macaco Bong está em algum lugar entre uma partida de tênis e um culto religioso. É possível ver o que o a guitarra propõe ao baixo, e como esse responde, e a bateria, e dali, quase magicamente nasce a música. Não bastasse a experiência musical em si, palmas para Kayapy, o guitarrista que, variando entre rockstar transando com a guitarra e músico compenetrado, comanda a banda. O Macaco Bong é a primeira banda do domingo, 20/1.



Vanguart - "Last Express Blues"



2. A possibilidade de o Vanguart fazer um show ruim é praticamente nula. 2007 foi um ano cheio na agenda da banda, que excursionou pelo país todo, baseando-se num mesmo repertório. Boa parte do material do show está no disco "Vanguart", que o grupo lançou em agosto passado. E que material. As canções do Vanguart conquistam logo pelas melodias, que podem lembrar Beatles, Roberto Carlos ou Radiohead. Ouvindo com mais atenção, vêm as letras, misturando sensibilidade, ironia e delírio, bem à moda beat. Tudo isso entregue na voz de Helio Flanders - um vocalista que, coisa rara, não parece estar ali simplesmente porque é o compositor. O Vanguart é segunda banda do sábado, 05/1.





3. Talvez a banda mais difícil de se googlar de todos os tempos, o Do Amor tem credenciais vistosas: o baterista e o baixista gravaram o último disco do Caetano; um dos guitarristas tocava com o Los Hermanos. E tem mais! O Do Amor é uma típica banda carioca: bermuda, bom-humor, algo pop, algo retrô. Mas, ainda bem, com guitarras um pouco mais sujas. Algo indie rock 1990, que vai se misturar com incríveis referências de axé music e carimbó. O Do Amor faz o primeiro show do sábado, 05/1.

João Brasil no Mucho Macho



4. João Brasil é o new raver brasileiro? O rapaz é TENDÊNCIA. O caderno Ela (encarte de moda d'O Globo) pediu pra ele dizer o que é cool, uma vez. Aparentemente, cool é flertar com o brega, como João faz em absolutamente todas as suas faixas (e como a Calzone, festa DESCOLÊ da qual ele já participou algumas vezes, faz o tempo todo). Cool é declarar ser formado em música pela universidade de Berklee e fazer músicas que lembram Latino: irresistíveis na pista de dança. O show também vai ser irresistível? Arrasa. João Brasil faz o segundo show da sexta, 11/1.


Superguidis - "O Banana"



5. Em 2006, os Superguidis lançaram seu primeiro álbum, mostrando como era o novo rock gaúcho. O aspecto retrô estava lá, a sensibilidade pop e o bom-humor também. Mas havia um pouco mais de espontaneidade, uma nova leveza e, no caso dos Guidis, um sotaque indie rock anos 90 bem forte. Em 2007, veio o segundo disco, mais tenso, mais amargo (como já estava no título, "A Amarga Sinfonia do Superstar"). Estaria tudo perdido? Vejamos o show. Os Superguidis são a primeira banda da sexta, 18/1.

Roberta Sá - "Pelas Tabelas"



6. Roberta Sá é A nova voz da música carioca. Certamente há muitas concorrentes, mas nenhuma outra tem o que Roberta tem: a voz doce e afinada, o interesse por novos compositores, a reverência ao passado da música brasileira, o gosto por um certo escapismo, os vestidos floridos e longos. Seus dois discos são preciosamente produzidos, para serem escutados calmamente. Tanta calma funciona no palco? Pelo menos a gente sabe que ela é afinada. Roberta Sá faz o segundo show da sexta, 04/1.

+ Todos esses shows acontecem na Sala Baden Powell (Avenida Nossa Senhora de Copacabana, 360), sempre a partir de 19h, por R$24 ou R$12. Além dos shows, o Humaitá Pra Peixe 2007 tem debates, oficinas, entrevistas e lançamentos de discos. A programação está na página do festival.

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2 de jan. de 2008

Escrito para o Goiânia Rock News em 31/12/2007, a pedido de Hígor Coutinho. Ainda não publicado. Veja as listas do Hígor de melhores do ano. Veja essa também. Feliz ano novo! Novíssimo.

O disco de 2007... considerando apenas o independente brasileiro, há mesmo a possibilidade de não ser "Vanguart"? Aliás, considerando o "mercado fonográfico brasileiro", se é que ele existe, como um todo, há o que mais? "Vanguart" é a forma mais rápida - e a mais bonita - de explicar nosso cenário musical. No que é incômodo, esse flerte com a língua inglesa, essa vergonha de dizer certas coisas em português, esse isolamento brutal que às vezes separa a música brasileira do Brasil em si. Ainda, talvez, um descompasso: enquanto só se fala de "new rave" e de rock dançante e, em São Paulo, as casas transbordam de gente que sai à noite pra ouvir rock independente inglês, pra dançar, nossa melhor banda (e muitas de nossas melhores bandas) tem essa melancolia toda, esse apreço pela canção.

Mas que canções! "Vanguart" conta a história de cinco rapazes com uma sensibilidade musical absurda saídos de um lugar do qual nem se sabia que havia música. Um pessoal que domina seus instrumentos, mostra apreço por letras bem construídas, melodias bem trabalhadas, bonitas, saca de poesia beat e fala direto com sua própria geração - ou "Semáforo" não é um hino que versa sobre nosso fastio para, no fim, explodir com nossa raiva, mostrando que estamos vivos? "Vanguart" é uma demonstração de quão acessível e arrebatadora pode ser a música independente (o "mainstream" não secou, está em todo lugar); e a prova de quanto o sistema de gravadoras nos priva de música sofisticadíssima e relevante.




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19 de ago. de 2007

Sete seria um número mais interessante, né? Mas, a seguir, 6 shows pelos quais a gente tem que ir a Cuiabá para o Calango 2007.

1 Já ganhou! Troféu diversão para a Revoltz. Eles se formaram, a rigor, em Cuiabá e agora moram em São Paulo. O grupo tem um site estiloso e quase hipnótico (clica no nome deles no texto!), um disco lançado neste ano que é tipo new wave lo-fi, canções de melodia fácil e letras que são quase o sonho indie: sexo, romancezinhos, drogas, filmes e bandas de rock. Melhor! Pelo que pareceu no Festival Fora do Eixo, (foi em março e em São Paulo, leia aqui!), o show está afiado. O suficiente para fazer uns passinhos punk, bater a cabeça, gritar, dançar e cantar junto.
Tomara -> As músicas mais dançantes e mais cantáveis, como "A Chinesa", "Arnoldileine" e "O Capítulo". Há sempre a possibilidade do Daniel Belleza, que é fã do grupo, aparecer no palco.
Sei lá -> Algumas canções tem influências mais anos '60, let's twist again. E, às vezes, eles tocam tão rápido que não dá nem pra se mexer.
Para dar um beijo no escuro em cima do muro ou subir no capô quando a banda se apresentar e dar um mosh bonito
. (A última frase contém referências para os fãs de Revoltz. Saiba mais aqui!) O clipe de "Ritalina", música que estava no EP "A Chinesa", de 2005, existe mais ou menos há um ano e aparece aqui e agora.



2 Já ganhou! Troféu lágrimas e emoção. É muito simples. As canções do Vanguart jogam pesado com solidão, melancolia, amores, nas letras e nas melodias que as envolvem. Vai ser o primeiro show do grupo em Cuiabá (de onde eles saíram, agora moram em São Paulo) depois do lançamento do disco via Outracoisa. São os heróis voltando à cidade que eles têm colocado na televisão (na verdade, mais na web tv. mas, enfim). O show no Calango de 2005, com o maior público da noite, já foi bem emocionante: e isso foi antes da MTV. Ah, nada como ídolos.
Tomara -> A coisa mais emocionante de um show do Vanguart in Cuyaba é a relação do público local com a banda. Melhor se todo mundo gritar descontroladamente em "Semáforo", se rolar "Para Abrir Os Olhos" e muita coisa do disco e se a banda acelerar e colocar peso em tudo, o que acontece em ocasiões especiais.
Sei lá -> Tem uma versão para "I Will Survive" no repertório que ficou bem... disco! com o passar do tempo. E o violão do Helio tem uma vocação incrível para arrebentar cordas, desafinar e outras coisas, criando uns silêncios no meio do show.
Para abrir os olhos
. (Cara... referência, de novo! Mas essa está logo abaixo)





3 Eles ainda não ganharam nada, mas talvez a Pública ganhe um VMB. O mesmo prêmio que talvez o Vanguart leve. Qualquer uma das bandas sendo vencedora, é uma celebração do bom momento da canção no independente brasileiro. Aliás, "Polaris", o disco que a banda gaúcha lançou no final do ano passado é, ele todo, uma celebração da canção, melodia, letras e detalhismo. Ao vivo, a psicodelia que mais se insinua no disco ganha cores. Às canções de "Polaris" juntam-se algumas inéditas, mais intensas. Baixista corre de um lado para o outro, feito louco, guitarrista e baixista fazem duelos... Rock!
Tomara -> Que toquem as músicas novas: a canção dançante e sem nome que é guiada pelo tecladista Amaro, e a intensa e climática "Luzes", que pode fechar o show. Que toquem, do disco, "Das Falsas Intenções" e "Long Plays", essa, melhor com todo mundo cantando junto.
Sei Lá -> A
Pública está escalada para tocar entre as locais e barulhentas (tanto em guitarras quanto em torcida) Macaco Bong e Lord Crossroads.
Para comprar uma bicicleta e ir viajar. (É isso mesmo!)

4 Já ganhou! Troféu garrafa de cerveja quebrada cortando a pele do abdôme. E isso é só uma das coisas que podem acontecer num show de Daniel Belleza & Os Corações Em Fúria. Pode ser uma garrafa de uísque também, por exemplo. Nos últimos anos, o grupo tem feito algumas das mais intensas apresentações ao vivo do independente brasileiro, indo além do jogo de cena bem calculado de coturnos e boás. Agora, eles se preparam para o lançamento do segundo disco, que deve vir mais diverso, com novas referências.
Tomara -> Tudo o que é necessário é que eles subam ao palco, pelo que parece. Ajuda se o som realçar o baixo quase tribal (bem verdade, poucas tribos têm contrabaixos elétricos) de Rangel.
Sei lá ->
Em entrevista, Daniel já disse que o novo disco viria mais calmo e o novo show menos produzido.
Para fazer sexo com alguém ou consigo mesmo, ferir fisicamente alguém ou a si mesmo, provocar a desordem e o caos e conhecer a commodity mais valiosa de Cuiabá. (Dica: não é a típica farofa de banana, mas tem a ver)


DBCF no Calango 2005 em foto tirada do Flickr do sensacional Vini Mania. Atenção: tem algo escrito na barriga do Daniel.

5 Tem alguém soltando o batidão, alguém violentando uma guitarra e um terceiro cara gritando sobre sexo, drogas e coisas realmente incompreensíveis, rebolando e tirando a roupa. Com essa fórmula, o Montage tem circulado de desfiles de moda a festivais de rock independente sem escorrer o make. SE JOGA.
Tomara -> Tem que rolar "Benflogin" (pode ser com ou sem as aspas).
Sei lá -> Sei lá.
Para arrasar na produ, se jogar muito e fazer uma ou duas coisas da lista do
Daniel Belleza ali em cima, só que mantendo o estilo.

6 Foi mais ou menos como uma aparição. Uma banda pouco conhecida abriria o segundo dia de Festival Fora do Eixo. Ninguém esperava o trip-hop d'O Quarto Das Cinzas, a vocalista de gestos e voz delicados ou a luz sobre seu vestido claro, que parecia idéia de um iluminador de filme bíblico.
Tomara -> Talvez conquistar platéias desavisadas seja um truque clássico do repertório do grupo.
Sei lá -> O som cheio de detalhes e silêncios d'
O Quarto Das Cinzas vai funcionar numa arena como a do Calango?
Para levitar.

- A programação completa do
Calango está na página do festival.

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23 de abr. de 2007

Publicado no Diário de Cuiabá, 27 de março. Enviado em 23 de março.

VANGUART
Voando alto

Diretamente de Cuiabá para São Paulo. Essa é a nova boa da banda cuiabana Vanguart, que está buscando e conseguindo novos patamares em sua carreira

Pedro Acosta*
Especial para o Diário de Cuiabá


No último dia 15, o grupo cuiabano Vanguart participou do Festival Fora do Eixo, em São Paulo. O evento foi uma iniciativa de outros cuiabanos, os agitadores culturais do Espaço Cubo. O objetivo do festival era apresentar conjuntos musicais independentes de todo o Brasil ao público e à mídia paulistanos. Mas o Vanguart, quinteto de folk rock cujas origens levam ao ano de 2002, já tem trilhado esse caminho há algum tempo.

Seu primeiro show em São Paulo foi em outubro de 2005 e obteve boas reações da crítica. Depois de inúmeras viagens pelo país, o grupo mudou-se definitivamente para a capital paulista no começo deste mês de março. "Estamos aqui há algumas semanas", explica o vocalista Helio Flanders, "e morar em São Paulo, para quem está acostumado ao Sol do Mato Grosso, não é nada fácil", lamenta. Mas o famoso mau tempo paulistano é provavelmente a única coisa lamentável na atual fase do grupo.

Contatos - O Vanguart tem conquistado progressivamente seu lugar no cenário do rock independente nacional. Jornalista do programa Trama Virtual (Multishow), um dos mais importantes no segmento, Fernanda Cardoso revela sua admiração. "Eles são geniais", derrete-se, "uma das melhores bandas do Brasil", classifica. Na voz de Fernanda, uma opinião que tem sido comumente divulgada. "A crítica sempre foi muito bacana conosco, especialmente aqui em São Paulo", comenta Helio. A mudança para a cidade tende a fortalecer o burburinho em torno do grupo.

No início do mês, o conjunto gravou algumas músicas ao vivo num estúdio da capital paulista. O motivo? Os jornalistas Lúcio Ribeiro, da Folha de S. Paulo, e Fábio Massari, ícone do rock alternativo brasileiro, também foram "bacanas" com o Vanguart. Na edição desta semana de seu programa de rádio virtual, "Poploaded", a dupla tem os cuiabanos como convidados especiais. Agora, "Semáforo" e "Hey Yo Silver" já estão no ar. Mais um resultado instantâneo da mudança de cidade, os rapazes deram recentemente entrevista à Rolling Stone (a ser publicada na edição de abril). Em outubro último, a icônica revista norte-americana lançou sua versão brasileira e, desde então, a publicação tornou-se indispensável quando se fala de entretenimento no Brasil.

Mas as realizações do Vanguart não têm sido apenas midiáticas. Os rapazes mal chegaram a São Paulo e já foram escalados para um projeto importante, promovido pelo Centro Cultural Banco do Brasil. Trata-se do "Supernovas", que vai reunir bandas independentes de expressão e ícones do rock brasileiro, como Dado Villa-Lobos (ex-Legião Urbana) e Pepeu Gomes (ex-Novos Baianos). "Faremos com João Ricardo, (fundador) do Secos & Molhados", revela Helio. "Tocaremos algumas canções deles e ele deve tocar algo do Vanguart conosco", adianta.

O show - Pode-se esperar platéia cheia para esse show, marcado para 15 de maio. E não apenas graças ao projeto em si. "O grupo está conquistando um bom público aqui", diz Daniel Akashi, membro do conjunto local Ecos Falsos. O número de presentes ao show do Vanguart no Festival Fora do Eixo foi o maior de todos os seis dias de shows do evento.

Na noite, realizada no badalado clube Vegas, os rapazes se apresentaram como atração principal, depois da banda gaúcha Pública. "Eles estão bem conhecidos no meio independente", observa a jornalista do IG Música Francine dos Santos acerca dos cuiabanos. Sua colega de profissão e empresa, Juliana Arruda, completa: "tem uma galera que canta as músicas".

Em especial duas canções em português. No show do Vegas, o refrão de "Cachaça" foi bastante cantado. A música ganhou um videoclipe no segundo semestre do ano passado, o qual foi bastante veiculado na MTV. Em boa parte, por esse vídeo ter concorrido a um prêmio da emissora. Enquanto isso, "Semáforo" tem se transformado num sucesso alternativo. Essa foi a primeira música em português do Vanguart e sua letra desesperançada (com versos como "só acredito no semáforo" e "todos meus amigos querem morrer") é cantada aos berros pelo público na maioria das apresentações.

O disco - Outra canção de grande êxito nos shows é "Hey Yo Silver" (pedida aos gritos na apresentação do grupo no Fora do Eixo). De levada country e dançante, a música estará no vindouro álbum do conjunto e será a primeira de suas faixas a ser lançada. O lançamento de "'Silver" deve acontecer virtualmente.

Já o lançamento (físico) do álbum deve acontecer até junho, de acordo com a banda. "O disco está pronto, já temos a capa e tudo", anuncia Helio. O CD deverá ter 14 faixas, sendo 7 delas em inglês, 6 em português e 1 em espanhol. "Semáforo" e "Cachaça" estão incluídas. "Gravamos em Cuiabá, no Estúdio Inca", revela o vocalista, "com um pessoal muito paciente e que nos entendeu de forma plena", elogia. Helio não revela detalhes sobre que parceiros estarão envolvidos no lançamento ou se este ocorrerá através de alguma gravadora.

Enquanto permanece a incógnita, o Vanguart anuncia show em Cuiabá para o dia 12 de maio, dentro de um evento promovido pela cervejaria Skol.



*Pedro Acosta é graduando em Comunicação na UFRJ, colabora com o site www.senhorf.com.br e com o DC Ilustrado

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Enviado a Senhor F, 22 de março.

Fora do Eixo, dia 4: Pública e Vanguart no Vegas

*Pedro Acosta

Em sua quarta noite, o Festival Fora do Eixo encontrou o ouro. Seja no dourado que domina a entrada do clube Vegas, ou no grande comparecimento do público. O Vegas fica na clássica Rua Augusta e quinta-feira é um dia tradicionalmente movimentado. Tanto na rua quanto no clube. Nesse dia da semana, a casa promove a festa Rockafellas, com imenso sucesso. Assim, Pública (RS) e Vanguart (MT, agora morando em São Paulo) se apresentaram dentro de uma noite “Rockafellas especial Festival Fora do Eixo”.

De qualquer forma, o público lotou o lugar. Suas caprichadas roupas em concordância com a decoração rococó do local. Cheio de luzes neon e lustres aparentando suntuosidade, o Vegas é bem sucedido no esforço de remeter à cidade que lhe dá nome, como também remete a um bordel. No fim, todo o aparato inspira mais a lançar-se numa pista de dança, como alguns fizeram. No andar inferior, durante toda a noite, DJ’s tocavam rock em remixes e o que se tem chamado new rave.

Pública

Os cinco integrantes do Pública se espremem em cima do palco enquanto o público se esbarra na pista. O show foi atrasado até depois de 1:00 e agora a platéia está cheia e ansiosa. Uma massa sonora confusa é projetada pelo equipamento no início da apresentação. Mas progressivamente as coisas se acertam e a melancolia sessentista do grupo se revela.

Levadas pela batida de teclado de “Long Plays”, as cabeças meneiam pelo salão. “Já comprei todos long plays dos artistas que você sempre gostou, mas mesmo assim estou só”. Ao ouvir versos assim, a menina de blusa estampada em preto e branco faz um sinal de “fofo” com as mãos.

Com “Bicicleta” aparecendo no repertório – seu nome podendo ser referência tanto ao veículo quanto a uma variedade de ácido lisérgico – o show ruma à psicodelia. Tal jornada explode no número final, “Luzes”.

Como se tivessem cansado do aperto do palco, baixista e guitarrista solo duelam abaixo dele, viajando por texturas e momentos. Por toda parte, há lâmpadas piscando freneticamente no Vegas. O mesmo frenesi se espalha pela pista, onde público, fotógrafos e cinegrafista tentam não esbarrar nos músicos, se esforçam para não interromper o momento.

Vanguart

Lá pelo meio do show: “agora vou cantar umas músicas novas, umas coisas de amor, umas bobagens. Não precisa gostar.” Tendo todas as atenções para si, Helio, vocalista do Vanguart, anuncia assim um grupo de músicas em português que devem estar presentes no vindouro disco. De acordo com a banda, o álbum já está gravado. Segue a pós-bossa nova de “Enquanto Isso na Lanchonete”. As luzes piscando sem frear e o som dançante que escapa da pista inferior lhe são hostis.

A próxima é “Para Abrir os Olhos”. Sobre um country suave, Helio conta que está há noventa dias em seu barco à vela, mas que não se sente tão sozinho por ter seus amigos: “só aparecem quando eu bebo”. E o que mais ele tem a dizer sobre seus amigos?

Logo nos primeiros acordes, “Semáforo” é saudada com uivos. Um coro tímido aparece no refrão. Mas a platéia explode mesmo quando Helio fala, no fim da canção, do que agora parece ser seu assunto favorito: “todos meus amigos... (gritos histéricos, uivos) querem... morrer!”

Uma vez acabado o caos de guitarra que marca o fim de “Semáforo”, ainda há espaço para uma versão de “I Will Survive” (do repertório de Gloria Gaynor), tão disco quando a original; alguns clássicos da banda; uma versão para “Outlaw Blues” (Bob Dylan). Ao fim, Helio está ajoelhado no palco, deslizando violentamente sua mão pelo braço do violão. O rapaz de camiseta preta debruçado sobre o palco imita chamas com as mãos. No telão, Johnny Cash aparece.

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