27 de fev de 2008

"Humaitá Pra Peixe, semana 1". Enviado em 15/1 para o site Coquetel Molotov. Publicado com alterações em 8/2 na seção "Matérias".


Maquinado no HPP08: "computer love"

Humaitá Pra Peixe 2008

fotos: Fosforeto

Em sua edição 2008, o festival carioca aconteceu entre os dias 4 e 31 de janeiro, com atividades todos os dias. Os principais shows aconteceram de sexta a domingo, na Sala Baden Powell, em Copacabana, bairro da Zona Sul do Rio. Mas, na programação, houve ainda oficinas, debates, talk-shows e lançamentos de discos. No total, o festival ocupou seis espaços diversos, todos na Zona Sul, epicentro cultural da cidade. Essa foi a primeira vez, em 14 anos de evento, que o HPP acontece fora do Espaço Cultural Sérgio Porto, no bairro do Humaitá. O teatro sofreu incêndio em maio e passa por reformas.

Entre os 22 artistas anunciados para o palco principal, há destaques do cenário independente nacional: os mato-grossenses Vanguart (foto) e Macaco Bong, Superguidis (RS) e Manacá (RJ), por exemplo. Mas há espaço também para revelações da MPB e do samba (Roberta Sá, Diogo Nogueira), sucessos radiofônicos (Strike e Jay Vaquer) e até para fenômenos da internet, como João Brasil. O ecletismo da escalação combina com o formato do Humaitá Pra Peixe: a cada dia, apenas dois shows, possivelmente com afinidades entre si. Juntos, formato e escalação levam o HPP para longe dos padrões de seus colegas de Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes).


Vanguart no HPP08: "ruídos"

Computer love – Mas, no quesito “versão improvável”, nada supera o show do pernambucano Maquinado, o último do domingo, 6. No repertório do grupo de Lúcio Maia, o guitarrista da Nação Zumbi, cabiam interpretações de Nelson Cavaquinho ou Serge Gainsbourg. No momento mais explicativo da noite, apareceu Kraftwerk, “Computer Love”. Afinal, o lugar-tema de Maquinado é o espaço entre orgânico e eletrônico, sua música explora era zona de contato. Como? Usando atabaques e vocal reggae para reler os robóticos inventores da música eletrônica, por exemplo. Não bastassem surpresas assim, ainda teve o bis. Ao ser chamado de volta para o palco, Lúcio engrenou um discurso anti-Papa, anti-religião, anti-establishment, anti-tudo: “pau no cú do papa”, ele soprava em seu Korg, no refrão.

Ruído – Problemas no som, de resto raros no Humaitá Pra Peixe, deram uma rasteira no Vanguart, logo no começo do show, o último do sábado, 5. O energético country-rock “Hey Yo Silver”, número de abertura, chegou a ser interrompido. Depois, demorou um pouco até que tudo corresse normalmente. Outros ruídos pontuaram a apresentação e, na segunda metade, o vocalista Helio Flanders cantou “The Last Time I Saw You” sozinho: voz, violão e gaita. Teria sido perfeito não fosse o falatório que ecoava do corredor para dentro da sala. Finalizando o show, o sub-sucesso “Semáforo”, seu final demolidor, com toda sorte de guitarras gritantes e Helio derrubando o microfone num arroubo de roqueiro, raro na apresentação.

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