23 de abr de 2007

Divulgado pelo Circuito Fora do Eixo a partir de 31 de março. Enviado em 30 de março.

Circuito Fora do Eixo

REC é inaugurado com lançamento da Madame Saatan

O programa é Compacto.rec, que visa o lançamento de uma série de singles virtuais. O primeiro do catálogo é o da banda paraense Madame Saatan, que estará disponível para download a partir de 1o. de abril, em sites integrados ao circuito.

por Pedro Acosta

No próximo domingo, o Circuito Fora do Eixo inicia seu programa ReC. O Fora do Eixo é uma rede de trabalho que associa produtores independentes de várias partes do Brasil. A sigla ReC (Rede de Comunicação) dá nome a um empreendimento que visa a incentivar trocas de tecnologia entre os participantes da rede, além de promover a circulação de seus produtores e produtos.

O primeiro projeto do ReC atende pelo nome de compacto.rec. Sua intenção é lançar compactos virtuais de bandas associadas ao Fora do Eixo. Com a popularização do consumo de música via internet e o declínio do CD, vem aumentando o resgate virtual do formato compacto. O single , como também é chamado, era um disquinho com geralmente duas faixas e foi popular no Brasil até os anos 80.

A diferença do compacto.rec é fazer os lançamentos não apenas em um site, como já acontece, mas em todos os veículos integrados ao Circuito Fora do Eixo. Cada um deles tornará disponíveis os fonogramas de cada lançamento e imagens que servirão de "capa" e "encarte" para os compactos. Os visitantes desses sites poderão baixar as músicas e as figuras, mantê-las no computador ou transformá-las num compacto físico.

O iniciativa vem para consolidar a rede de distribuição que o Circuito Fora do Eixo tem formado em seu um ano e meio de existência. O projeto compacto.rec revela muito do funcionamento do Circuito, ao jeito de um software livre : os fonogramas e as imagens serão enviadas para todos os 24 sites associados, mas cada editor publicará o conteúdo da forma mais coerente com seu veículo.


Madame Saatan – do Pará, o primeiro lançamento Compacto.rec

O compacto.rec surgiu de uma iniciativa da banda paraense Madame Saatan . A caminho de lançar seu primeiro disco, o grupo pensava em promover o álbum com a divulgação anterior de um compacto virtual. A intenção era falar com públicos diferenciados e, para isso, veicular o compacto em vários sites. A partir do contato da banda com o instituto cultural cuiabano Espaço Cubo, a idéia foi levada para todo o Circuito Fora do Eixo.

Assim, no próximo domingo, dia 1o. de abril , o compacto com as músicas "Molotov" e "Gotas em Caos" estará em todos os sites do Circuito Fora do Eixo, além de outros parceiros. A partir desses veículos, a divulgação se multiplica, considerando-se a mídia espontânea gerada pelo lançamento em cada um desses sites.

* Pedro Acosta é colaborador do site Senhor F e compõe a equipe de Comunicação do Circuito Fora do Eixo.

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Publicado no Diário de Cuiabá, 27 de março. Enviado em 23 de março.

VANGUART
Voando alto

Diretamente de Cuiabá para São Paulo. Essa é a nova boa da banda cuiabana Vanguart, que está buscando e conseguindo novos patamares em sua carreira

Pedro Acosta*
Especial para o Diário de Cuiabá


No último dia 15, o grupo cuiabano Vanguart participou do Festival Fora do Eixo, em São Paulo. O evento foi uma iniciativa de outros cuiabanos, os agitadores culturais do Espaço Cubo. O objetivo do festival era apresentar conjuntos musicais independentes de todo o Brasil ao público e à mídia paulistanos. Mas o Vanguart, quinteto de folk rock cujas origens levam ao ano de 2002, já tem trilhado esse caminho há algum tempo.

Seu primeiro show em São Paulo foi em outubro de 2005 e obteve boas reações da crítica. Depois de inúmeras viagens pelo país, o grupo mudou-se definitivamente para a capital paulista no começo deste mês de março. "Estamos aqui há algumas semanas", explica o vocalista Helio Flanders, "e morar em São Paulo, para quem está acostumado ao Sol do Mato Grosso, não é nada fácil", lamenta. Mas o famoso mau tempo paulistano é provavelmente a única coisa lamentável na atual fase do grupo.

Contatos - O Vanguart tem conquistado progressivamente seu lugar no cenário do rock independente nacional. Jornalista do programa Trama Virtual (Multishow), um dos mais importantes no segmento, Fernanda Cardoso revela sua admiração. "Eles são geniais", derrete-se, "uma das melhores bandas do Brasil", classifica. Na voz de Fernanda, uma opinião que tem sido comumente divulgada. "A crítica sempre foi muito bacana conosco, especialmente aqui em São Paulo", comenta Helio. A mudança para a cidade tende a fortalecer o burburinho em torno do grupo.

No início do mês, o conjunto gravou algumas músicas ao vivo num estúdio da capital paulista. O motivo? Os jornalistas Lúcio Ribeiro, da Folha de S. Paulo, e Fábio Massari, ícone do rock alternativo brasileiro, também foram "bacanas" com o Vanguart. Na edição desta semana de seu programa de rádio virtual, "Poploaded", a dupla tem os cuiabanos como convidados especiais. Agora, "Semáforo" e "Hey Yo Silver" já estão no ar. Mais um resultado instantâneo da mudança de cidade, os rapazes deram recentemente entrevista à Rolling Stone (a ser publicada na edição de abril). Em outubro último, a icônica revista norte-americana lançou sua versão brasileira e, desde então, a publicação tornou-se indispensável quando se fala de entretenimento no Brasil.

Mas as realizações do Vanguart não têm sido apenas midiáticas. Os rapazes mal chegaram a São Paulo e já foram escalados para um projeto importante, promovido pelo Centro Cultural Banco do Brasil. Trata-se do "Supernovas", que vai reunir bandas independentes de expressão e ícones do rock brasileiro, como Dado Villa-Lobos (ex-Legião Urbana) e Pepeu Gomes (ex-Novos Baianos). "Faremos com João Ricardo, (fundador) do Secos & Molhados", revela Helio. "Tocaremos algumas canções deles e ele deve tocar algo do Vanguart conosco", adianta.

O show - Pode-se esperar platéia cheia para esse show, marcado para 15 de maio. E não apenas graças ao projeto em si. "O grupo está conquistando um bom público aqui", diz Daniel Akashi, membro do conjunto local Ecos Falsos. O número de presentes ao show do Vanguart no Festival Fora do Eixo foi o maior de todos os seis dias de shows do evento.

Na noite, realizada no badalado clube Vegas, os rapazes se apresentaram como atração principal, depois da banda gaúcha Pública. "Eles estão bem conhecidos no meio independente", observa a jornalista do IG Música Francine dos Santos acerca dos cuiabanos. Sua colega de profissão e empresa, Juliana Arruda, completa: "tem uma galera que canta as músicas".

Em especial duas canções em português. No show do Vegas, o refrão de "Cachaça" foi bastante cantado. A música ganhou um videoclipe no segundo semestre do ano passado, o qual foi bastante veiculado na MTV. Em boa parte, por esse vídeo ter concorrido a um prêmio da emissora. Enquanto isso, "Semáforo" tem se transformado num sucesso alternativo. Essa foi a primeira música em português do Vanguart e sua letra desesperançada (com versos como "só acredito no semáforo" e "todos meus amigos querem morrer") é cantada aos berros pelo público na maioria das apresentações.

O disco - Outra canção de grande êxito nos shows é "Hey Yo Silver" (pedida aos gritos na apresentação do grupo no Fora do Eixo). De levada country e dançante, a música estará no vindouro álbum do conjunto e será a primeira de suas faixas a ser lançada. O lançamento de "'Silver" deve acontecer virtualmente.

Já o lançamento (físico) do álbum deve acontecer até junho, de acordo com a banda. "O disco está pronto, já temos a capa e tudo", anuncia Helio. O CD deverá ter 14 faixas, sendo 7 delas em inglês, 6 em português e 1 em espanhol. "Semáforo" e "Cachaça" estão incluídas. "Gravamos em Cuiabá, no Estúdio Inca", revela o vocalista, "com um pessoal muito paciente e que nos entendeu de forma plena", elogia. Helio não revela detalhes sobre que parceiros estarão envolvidos no lançamento ou se este ocorrerá através de alguma gravadora.

Enquanto permanece a incógnita, o Vanguart anuncia show em Cuiabá para o dia 12 de maio, dentro de um evento promovido pela cervejaria Skol.



*Pedro Acosta é graduando em Comunicação na UFRJ, colabora com o site www.senhorf.com.br e com o DC Ilustrado

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Enviado a Senhor F, 22 de março.

Saiba como foi o Festival Fora do Eixo

Entre os últimos dias 12 e 18 aconteceu em São Paulo o Festival Fora do Eixo. Sua produção foi encabeçada pelo grupo de trabalho cuiabano Espaço Cubo, mas contou com a participação de todo o Circuito Fora do Eixo. Sob esse nome, reúnem-se produtores independentes de diversas partes do país.

Incluídas aí estão as bandas. Grupos de todas as cinco regiões do Brasil puderam, no Festival Fora do Eixo, mostrar seus trabalhos a São Paulo, onde o rock independente está consolidado de forma ímpar. Citado incessantemente em entrevistas, o grande trunfo do evento foi a possibilidade de fortalecimento de redes de contatos. Bandas conhecendo outras bandas, produtores e, sobretudo, jornalistas.

A mídia paulistana (especializada ou não) tem papel fundamental na construção do cenário roqueiro nacional. Assim, a divulgação do Festival nos veículos locais era o principal objetivo. Entre as presenças notáveis, nesse sentido, o jornalista Lúcio Ribeiro, os programas Metrópolis (Cultura) e Trama Virtual (Multishow).

Outro ponto interessando do Fora do Eixo foi realizar seus shows em diversas casas de São Paulo. Desta forma, travou-se contato com diversos donos de clubes e apresentou-se a música do Circuito Fora do Eixo para vários tipos de público.

E como foram os shows? Houve espaço para sucessos certeiros como Vanguart (MT), Pública (RS), Macaco Bong (MT) e Porcas Borboletas (MG). E, também, para boas surpresas como O Quarto das Cinzas (CE) e Revoltz (MT). Senhor F esteve presente aos shows do primeiro (segunda, 18 de março) ao quinto dia.

No sábado, houve a interessante idéia de se debater os rumos no Circuito Fora do Eixo. No domingo, os shows aconteceram na Outs e foram escaladas as bandas Zefirina Bomba (PB), Trilöbit, Camundogs (AC) e Chili Mostarda (MT).

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Enviado a Senhor F, 22 de março.

Fora do Eixo, dia 5: Porcas Borboletas no Studio SP

*Pedro Acosta

“Colagem é o básico”. Assim o vocalista Danislau define o som de sua banda, Porcas Borboletas (MG). Mas a definição também serve para o Studio SP, onde aconteceu a quinta noite de Festival Fora do Eixo. A casa fica na efervescente Vila Madalena e, em sua arquitetura cheia de recortes, anuncia uma noite em que nada é plano e simples.

O Studio se abre numa escadaria que leva à pista. No mesmo nível da pista, há uma varanda que não se conecta diretamente com a escada. Os degraus continuam até um deque de madeira, mas atrás deles há um banheiro. Por todas as paredes, cartazes e adesivos, cobrindo-as por inteiro. Neles, lêem-se coisas tão díspares quanto “Om Nanah Shivaya”, “war is peace” e “cemporcento skate”. Sobre essas paredes, aparecem pranchas de surfe decoradas por artistas plásticos.

Quando a DJ assume o som, “Staring At The Sun” (dos pós-roqueiros nova-iorquinos TV On The Radio) é tocada logo antes do sucesso da Jovem Guarda “Splish Splash”.

As cortinas vermelhas se abrem, e o Porcas Borboletas injeta mais frases e sons no já fervilhante turbilhão de referências. “O Silvio Santos de hoje é feito de plástico”, bradam logo na primeira música, que ainda fala de horóscopo. “Eu sinto muito, mas eu não sinto nada”, diz outra canção.

A certa altura do show, menciona-se uma parceria com Arnaldo Antunes (na verdade, seu poema “Eu” foi musicado pelo grupo). Nem precisava dizer. O grupo é claramente influenciado pelas experiências dos anos 80, incluindo-se aí os Titãs e a chamada Vanguarda Paulista (de Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção).

Assim, o Porcas Borboletas parte do rock oitentista, chegando aos estilos regionais brasileiros, geralmente em combinações sincopadas. Ainda, há uma preocupação evidente com a performance e a poesia. Essa última resulta em refrãos insistentes cantados à toda pelo público. “É melhor dizer/Amor, acabou a cerveja!/do que chorar/Cerveja acabou o amor!”, no maior sucesso da noite, “Cerveja”.

Apresentou-se também a goiana Valentina.

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Enviado a Senhor F, 22 de março.

Fora do Eixo, dia 4: Pública e Vanguart no Vegas

*Pedro Acosta

Em sua quarta noite, o Festival Fora do Eixo encontrou o ouro. Seja no dourado que domina a entrada do clube Vegas, ou no grande comparecimento do público. O Vegas fica na clássica Rua Augusta e quinta-feira é um dia tradicionalmente movimentado. Tanto na rua quanto no clube. Nesse dia da semana, a casa promove a festa Rockafellas, com imenso sucesso. Assim, Pública (RS) e Vanguart (MT, agora morando em São Paulo) se apresentaram dentro de uma noite “Rockafellas especial Festival Fora do Eixo”.

De qualquer forma, o público lotou o lugar. Suas caprichadas roupas em concordância com a decoração rococó do local. Cheio de luzes neon e lustres aparentando suntuosidade, o Vegas é bem sucedido no esforço de remeter à cidade que lhe dá nome, como também remete a um bordel. No fim, todo o aparato inspira mais a lançar-se numa pista de dança, como alguns fizeram. No andar inferior, durante toda a noite, DJ’s tocavam rock em remixes e o que se tem chamado new rave.

Pública

Os cinco integrantes do Pública se espremem em cima do palco enquanto o público se esbarra na pista. O show foi atrasado até depois de 1:00 e agora a platéia está cheia e ansiosa. Uma massa sonora confusa é projetada pelo equipamento no início da apresentação. Mas progressivamente as coisas se acertam e a melancolia sessentista do grupo se revela.

Levadas pela batida de teclado de “Long Plays”, as cabeças meneiam pelo salão. “Já comprei todos long plays dos artistas que você sempre gostou, mas mesmo assim estou só”. Ao ouvir versos assim, a menina de blusa estampada em preto e branco faz um sinal de “fofo” com as mãos.

Com “Bicicleta” aparecendo no repertório – seu nome podendo ser referência tanto ao veículo quanto a uma variedade de ácido lisérgico – o show ruma à psicodelia. Tal jornada explode no número final, “Luzes”.

Como se tivessem cansado do aperto do palco, baixista e guitarrista solo duelam abaixo dele, viajando por texturas e momentos. Por toda parte, há lâmpadas piscando freneticamente no Vegas. O mesmo frenesi se espalha pela pista, onde público, fotógrafos e cinegrafista tentam não esbarrar nos músicos, se esforçam para não interromper o momento.

Vanguart

Lá pelo meio do show: “agora vou cantar umas músicas novas, umas coisas de amor, umas bobagens. Não precisa gostar.” Tendo todas as atenções para si, Helio, vocalista do Vanguart, anuncia assim um grupo de músicas em português que devem estar presentes no vindouro disco. De acordo com a banda, o álbum já está gravado. Segue a pós-bossa nova de “Enquanto Isso na Lanchonete”. As luzes piscando sem frear e o som dançante que escapa da pista inferior lhe são hostis.

A próxima é “Para Abrir os Olhos”. Sobre um country suave, Helio conta que está há noventa dias em seu barco à vela, mas que não se sente tão sozinho por ter seus amigos: “só aparecem quando eu bebo”. E o que mais ele tem a dizer sobre seus amigos?

Logo nos primeiros acordes, “Semáforo” é saudada com uivos. Um coro tímido aparece no refrão. Mas a platéia explode mesmo quando Helio fala, no fim da canção, do que agora parece ser seu assunto favorito: “todos meus amigos... (gritos histéricos, uivos) querem... morrer!”

Uma vez acabado o caos de guitarra que marca o fim de “Semáforo”, ainda há espaço para uma versão de “I Will Survive” (do repertório de Gloria Gaynor), tão disco quando a original; alguns clássicos da banda; uma versão para “Outlaw Blues” (Bob Dylan). Ao fim, Helio está ajoelhado no palco, deslizando violentamente sua mão pelo braço do violão. O rapaz de camiseta preta debruçado sobre o palco imita chamas com as mãos. No telão, Johnny Cash aparece.

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Enviado a Senhor F, 21 de março.

Fora do Eixo, dia 3: Rockassetes e Revoltz no Dynamite

*Pedro Acosta

Terceiro dia de Festival Fora do Eixo, terceira região de São Paulo a ser explorada. Desta vez, foi a Vila Madalena (Zona Oeste): mais agitada que a Barra Funda da Casa Belfiori, menos ousada que a Rua Augusta do Inferno. Na noite de quarta-feira, o Dynamite Pub abriu excepcionalmente suas portas para receber Mandrake (SP), Rockassetes (SE) e Revoltz (MT). A casa tem um bar no andar térreo e, acima, uma pista e uma varanda.

Os shows aconteceram na parte superior do sobrado, numa pista consideravelmente menor que as anteriores. A escolha do escuro bar foi ideal para uma noite sem bandas com público paulistano consolidado.

Rockassetes

“O Playcenter!” Respondendo assim a pergunta sobre qual a maior vantagem de a banda morar em São Paulo (e, logo depois, se explicando), os Rockassetes revelam-se, num tempo, lúdicos e irônicos. O mesmo acontece em seu show.

O grupo sobe ao palco por volta de 0:10 e dá início ao baile. O baixo bem marcado e dançante, o não uso de intervalo entre canções e até a ausência de clareza no som dos microfones levam a um bailinho dos anos 60. A luz refletida em mil pontos pelo globo de espelhos colabora com a impressão. Mas as paredes pretas do Dynamite Pub discordam.

E a própria banda, também. No início, o show tem letras como “eu deveria te esquecer e não falar mais com você”, canção sobre paixão por uma garota do prédio e menção de “You’re Going To Lose That Girl” (Beatles). Mais para o fim, aparecem tons um pouco mais sombrios, à moda dos anos 90, e até um flerte com o blues.

Revoltz

Com suas inúmeras referências a entorpecentes, as letras da Revoltz são cheias de submundo. Assim, o som do grupo encontra casa num ambiente menor e mais escuro como o do Dynamite Pub. A proximidade com o público parece encher de anfetaminas as canções do grupo, já aceleradas para o show.

Enquanto o vocalista e baixista Ricardo, agasalho Adidas e olhos pintados, canta posando para fotos, a tecladista Marcela requebra-se ao seu teclado de som quase infantil. “Os técnicos geralmente vêm ligar meu teclado e quase perguntam cadê o de verdade”, ela ri.

Mas o timbre do instrumento marca o som da Revoltz, de refrãos fáceis, baixo pulsante e sotaque new wave. E estando a new wave na ordem do dia, Ricardo promete, com seu sotaque gaúcho, que seu próximo disco será “eletro, elétrico e moderno”. O nome do álbum é “Beijo No Escuro” e seu lançamento é prometido para abril.

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Publicado em Senhor F, 17 de março. Primeira parte enviada no dia 13. Segunda parte, "Fora do Eixo, dia 2: um passeio sensorial", enviada no dia 14.

Veja a cobertura dos dois primeiros dias do festival que agitou São Paulo

* Pedro Acosta

A primeira noite de Festival Fora do Eixo em São Paulo não levou muitos ao Inferno. Nesta segunda-feira, estavam vazios não só o clube, como também a rua onde ele fica. Na boêmia Rua Augusta, nada dos produzidos roqueiros que marcam o lugar nos fins-de-semana. Apenas alguns letreiros em néon anunciando clubes onde se pode "tomar uma breja com a mulherada bonita", como apregoam em eufemismo seus porteiros. Nas calçadas, eventualmente, pares de pernas e decotes esperando pela lenta clientela.

Dentro do inferninho estilizado (luzes vermelhas, detalhes em pelúcia com estampa de oncinha), uma parte do público preenche esparsamente o espaço livre em frente ao palco. Outra, se instala nas almofadadas cabines com mesa, à moda das lanchonetes americanas.

O clube abre por volta de 0:30. O horário previsto era 22:00 e o atraso serviu para juntar o público à porta da casa. Em grande parte, membros de bandas e jornalistas.

Fuzzly

"Daqui de cima não dá pra ver ninguém", diz o guitarrista do Fuzzly, sugestivamente chamado Dark. A frase, dita pelo meio do show, talvez seja a melhor definição da apresentação. De calças puídas e camisetas envelhecidas, guitarrista e baixista fazem o show todo debruçados sobre seus instrumentos, os cabelos longos e bagunçados cobrindo-lhes o rosto.

Logo, as músicas vão se transformando em temas, grudando-se umas às outras, não deixando espaço para o silêncio. Os espectadores ocasionais são afastados pela performance fechada. Os poucos fãs parecem entrar na viagem junto com a banda. "É melhor se você estiver chapado", comenta em entrevista o baixista Hugo. Talvez isso explique.

Quase no fim do show, o baterista Rafael já sem camisa, os fotógrafos e cinegrafistas debruçam-se sobre o palco. Tentam ver melhor Dark, que agora letargicamente rola pelo palco. Assim encaminha-se para o fim o primeiro show da noite. Cheio de mudanças de andamento e momentos climáticos - o som puxado pela guitarra rasgada e grave - interrompidos apenas por Dark resmungando, num tom também grave, as letras ao microfone.

Johnny Suxx n' The Fucking Boys

"Não é porque todo mundo é veado que é glam". Johnny Suxxx dispara a pérola ao ser perguntado sobre a existência de uma cena glam no Brasil. Minutos antes, ele havia participado de uma espécie de tributo ao estilo, num encontro de divas. Para tocar "20th Century Boy" (T. Rex), Johnny chamou ao palco Daniel Belleza e Marvel (Cabaret).

Momentos antes, o performático vocalista estava sentado no palco com as pernas cruzadas, pedindo (e conseguindo) que seu guitarrista lhe escarrasse na boca. Agrados aos fotógrafos como esse apimentam o rock setentista do conjunto, muito relacionado a MQN e Daniel Belleza & Os Corações Em Fúria (mesmo tendo letras em inglês). No fim, o show de Johnny Suxxx serviu como ponte entre o stoner do Fuzzly e o electroclash do Montage.

Montage

A ausência de uma bateria acústica denuncia aos ouvidos uma mudança radical no rumo da noite. Tendência da estação, as calças afuniladas do produzido público em frente ao palco também servem para anunciar mudanças. A dança frenética e quase tribal de quem assiste ao show, mais tarde, vai explicar que não se trata de uma banda de rock. Ou não somente.

A dinâmica do Montage baseia-se em uma massa sonora sendo lançada de um groovebox, à qual se juntam elementos punks: uma guitarra violenta e violentada e um vocal que grita insistentemente coisas como "raio de fogo, eu preciso de você" (num dos sucessos da noite).

De cima de suas botas de salto alto, o vocalista Daniel primeiro tira a camiseta regata. Depois, o shortinho listrado em preto e branco. Ao fim, rasteja de sunga, engatinha pelo palco e um show é um sucesso. E por que não seria?

Fora do Eixo, dia 2: um passeio sensorial

Em sua segunda noite, o Festival Fora do Eixo deixou a histórica Rua Augusta, chegando á Barra Funda. O bairro, na Zona Oeste de São Paulo, tem crescido na preferência do público roqueiro da cidade. Os shows desta terça-feira aconteceram na estilosa Casa Belfiori. O clube tem estilo retrô, com direito a globos de espelho no teto e cortinas vermelhas no fundo do palco.

Tal cenário emoldurou apresentações cheias de climas sonoros, as quais levaram o público por uma jornada de sensações. O Quarto das Cinzas (CE), Mezatrio (AM) e Macaco Bong se apresentaram para uma platéia de aproximadamente 150 pessoas, de acordo com a organização do evento. O número bastou para preencher (ainda que esparsamente) o clube.

O Quarto das Cinzas

O fluido vestido quase-branco de Laya contra o fundo vermelho do palco coloca a vocalista d'O Quarto das Cinzas como uma aparição. Seus movimentos amplos e suaves reforçam o langor do som do grupo, que ecoa pela Belfiori sem dificultade. Etiquetas como "trip hop" e "lounge" talvez ajudem a defini-lo.

Seja na expressão plácida de Laya, ou nas batidas eletrônicas que aparentam sair de lugar nenhum (mas saem dos dedos do também guitarrista Carlos Eduardo), a origem do som da banda por vezes se esconde. O Quarto das Cinzas parece "fazer música com os olhos", como diz um de seus poéticos versos.

O público mostra-se positivamente surpreso. Talvez pela falta de conhecimento prévio acerca do conjunto. Talvez arrebato pela presença de Laya, muito assediada após o show. Provavelmente embarcando na viagem sonora proposta pelo trio (completo com o baixista Rafael), que encontra porto seguro numa versão de "Panis et Circenses" (de Caetano Veloso e Gilberto Gil, do repertório dos Mutantes).

Mezatrio

Se durante o show d'O Quarto das Cinzas o som parecia sair de lugar nenhum, na apresentação do Mezatrio, ele parece vir de toda parte. O sexteto enche o palco. Na platéia, espalhada pelo salão, alternam-se focos de maior ou menor atenção.

O tom grave do vocalista Paulo Lins trabalha melodias que ecoam o rock brasileiro do começo dos anos 80. As três guitarras do conjunto dialogam com um teclado cheio de efeitos. O Mezatrio parece buscar a intensidade emocional (e sonora) de bandas dos anos 90 como Muse, Radiohead e Weezer.

Impossível não notar: pelo menos nas feições e no jeito de apoiar a guitarra em uma perna ligeiramente levantada, Paulo Lins lembra muito Marcelo Camelo.

Macaco Bong

A disposição dos móveis na Casa Belfiori não separa um espaço do salão especialmente para a platéia dos shows: a pista é a casa toda. Talvez por isso, às vezes o público parece se entreter mais consigo mesmo, o show passando de atração principal para música ambiente. Mas não com o Macaco Bong.

Os corpos eretos, voltados para o palco, os olhares atentos parecem revelar que os espectadores ali acreditam que uma apresentação do trio mato-grossense é certeza de intensa viagem sonora. No palco, o esguio Bruno Kayapy faz suas habituais contorções corporais e de rosto, comparáveis às reações de dor e prazer do sexo.

De volta à platéia, surgem bateristas de ar e guitarristas de ar, como se não bastasse simplesmente assistir. O produtor Bruno Montalvão define com precisão o elogiadíssimo show. "É como se os caras se perseguissem no palco", diz, "é um som perseguindo o outro. É o encontro da música", completa.

* Pedro Acosta é jornalista e colaborador de Senhor F.

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Publicado em Senhor F, 13 de março

Festival 'Fora do Eixo' começou ontem em São Paulo, com shows na Infierno

* Pedro Acosta

Começou em São Paulo o Festival Fora do Eixo. Na noite de segunda-feira, roqueiros da cidade se reuniram no Inferno. A casa fica na tradicionalmente boêmia e roqueira Rua Augusta, região central da capital paulista. Apresentaram-se as bandas Fuzzly (de Mato Grosso, residindo agora em São Paulo), Montage (do Ceará, idem) e Johnny Suxx n’ The Fucking Boys (de Goiás).

Apesar da pouca presença de público, o evento foi prestigiado pela presença de jornalistas e personalidades locais que compareceram em bom número. Estiveram presentes as equipes dos programas televisivos Metrópolis (Cultura) e Trama Virtual (Multishow); os jornalistas Humberto Finatti (revista Dynamite) e Lúcio Ribeiro (www.lucioribeiro.com.br).

Os performáticos Tuba (baterista dos Faichecleres) e Daniel Belleza também compareceram e puderam assistir a seus extravagantes pares Johnny Suxxx e Daniel, do Montage. Além do rock chapado do Fuzzly.

Em entrevista, Pablo Capilé classificou a noite como "um luxo". Ele lidera o núcleo cuiabano Espaço Cubo, principal organizador do Festival Fora do Eixo. Pablo salientou a importância da presença da mídia especializada, em detrimento da presença do público. "A gente só queria jornalista e banda amiga", exagerou. As bandas que se apresentaram fizeram coro a afirmação, unanimemente destacando a cobertura jornalística como o maior atrativo do festival.

Já entre os jornalistas, Leandro Carbonato (Trama Virtual) destacava o alcance de um veículo como Multishow. Lúcio Ribeiro, por sua vez, minimizava a importância de um grande veículo como a Folha de São Paulo (com o qual colabora) na construção de uma cena independente. "Com a internet, uma banda do Pará pode dialogar de igual para igual com uma banda do Rio Grande do Sul", analisou.

O Festival Fora do Eixo é uma iniciativa do Circuito Fora do Eixo, reunindo produtores independentes de diversas partes do Brasil. O evento acontece até o próximo domingo, levando bandas das cinco regiões do país a diversos palcos de São Paulo, apresentando-as à mídia e ao público paulistano.

* Pedro Acosta é colaborador de Senhor F.

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Divulgado pelo Circuito Fora do Eixo a partir de 5 de maio. Enviado em 28 de fevereiro.

Festival Fora do Eixo, um evento fora dos padrões

Festival de música independente agita São Paulo em março


por Pedro Acosta
da Imprensa Fora do Eixo


O Festival Fora do Eixo vai agitar as noites de São Paulo de uma maneira incomum. Nada do tradicional modelo de festivais, geralmente presos a um fim de semana e a uma casa de shows. Entre os dias 12 e 18 de março (de segunda a domingo), 19 bandas de todo o país se apresentarão em sete das casas mais importantes da capital paulista. Comum a esses artistas, o fato de não pertencerem ao eixo Rio-São Paulo, com suas grandes empresas de comunicação e entretenimento. Além disso, o fato de superarem essa dificuldade criando música relevante e se organizando em rede.

A rede em questão é o Circuito Fora do Eixo, movimento nacional que integra produtores independentes, jornalistas e bandas indies de todo o país. Trata-se de uma grande rede de trabalho em que experiências e práticas são compartilhadas. Foi assim no Grito Rock Brasil, primeiro festival integrado de música independente, realizado durante o carnaval. Em 2007, 20 cidades em 15 estados tiveram suas versões do Grito, adaptando o molde do Espaço Cubo, que já realiza o evento em Cuiabá (MT) desde 2003.

Provada a capacidade de intercâmbio entre produtores do Brasil inteiro, o Festival Fora do Eixo é o próximo passo. Em São Paulo há um estabelecido movimento rock e reside na cidade boa parte dos veículos dedicados a esse movimento. Agora, a força e a relevância da produção dos estados fora do eixo serão mostradas na capital paulista.

Destaques em 2006, bandas como as mato-grossenses Vanguart e Macaco Bong, a goiana Valentina, a amazonense Mezatrio e a sergipana Rockassetes estão na escalação do Festival Fora do Eixo. Mas também haverá bandas de estados do Sudeste. Afinal, a questão não é geográfica. O que importa é o método e a organização da produção independente em redes de trabalho.

Seguindo esse raciocínio, o festival agregará o maior número possível de produtores paulistanos. Nesse sentido, a medida mais importante é realizá-lo em vários palcos. Cada dia do Fora do Eixo acontecerá em uma casa diferente. Desde a tradicional Outs à novata Inferno Club, ambas na Rua Augusta. Passando pelo Vegas (também na Augusta), a Vila Madalena do Dynamite Pub e do Studio SP até a Casa Belfiori, na Barra Funda e o Satva Bar.

Ainda com o objetivo de integrar agentes da cadeia produtiva da música indie, haverá, no sábado 17, o Ciclo Fora do Eixo de Seminários. São esperados nos debates representantes de selos, festivais, organizadores de evento, jornalistas, artistas: todos os produtores que devem estar em São Paulo, participando do festival. Na pauta, temas como o próprio Circuito Fora do Eixo, circulação, produção e distribuição de conteúdo.

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