4 de jan. de 2008

Começa hoje a 14a. edição do Humaitá Pra Peixe , o festival de música independente mais importante do Rio. A programação de 2008 faz quase um apanhado dos "melhores de 2007", entre destaques da nova MPB, elogiadas bandas do circuito independente e hypes absurdinhos (na ordem, Roberta Sá, Vanguart e João Brasil, só para citar exemplos). A seguir, alguns shows que este blog não vai perder.



Macaco Bong - "Bananas For You All"



1. Um show do Macaco Bong desafia: quem não gosta de música instrumental tem que resistir pra não gostar do que ouve; quem se diz grande conhecedor de música vasculha os arquivos na tentativa de encontrar as influências do grupo; quem não gosta do som do Macaco precisa se esforçar para não admitir que o que se vê no palco é mesmo arrebatador. Guitarra, contrabaixo e bateria: a simplicidade de elementos não denuncia a incrível massa sonora que vem do palco. O show do Macaco Bong está em algum lugar entre uma partida de tênis e um culto religioso. É possível ver o que o a guitarra propõe ao baixo, e como esse responde, e a bateria, e dali, quase magicamente nasce a música. Não bastasse a experiência musical em si, palmas para Kayapy, o guitarrista que, variando entre rockstar transando com a guitarra e músico compenetrado, comanda a banda. O Macaco Bong é a primeira banda do domingo, 20/1.



Vanguart - "Last Express Blues"



2. A possibilidade de o Vanguart fazer um show ruim é praticamente nula. 2007 foi um ano cheio na agenda da banda, que excursionou pelo país todo, baseando-se num mesmo repertório. Boa parte do material do show está no disco "Vanguart", que o grupo lançou em agosto passado. E que material. As canções do Vanguart conquistam logo pelas melodias, que podem lembrar Beatles, Roberto Carlos ou Radiohead. Ouvindo com mais atenção, vêm as letras, misturando sensibilidade, ironia e delírio, bem à moda beat. Tudo isso entregue na voz de Helio Flanders - um vocalista que, coisa rara, não parece estar ali simplesmente porque é o compositor. O Vanguart é segunda banda do sábado, 05/1.





3. Talvez a banda mais difícil de se googlar de todos os tempos, o Do Amor tem credenciais vistosas: o baterista e o baixista gravaram o último disco do Caetano; um dos guitarristas tocava com o Los Hermanos. E tem mais! O Do Amor é uma típica banda carioca: bermuda, bom-humor, algo pop, algo retrô. Mas, ainda bem, com guitarras um pouco mais sujas. Algo indie rock 1990, que vai se misturar com incríveis referências de axé music e carimbó. O Do Amor faz o primeiro show do sábado, 05/1.

João Brasil no Mucho Macho



4. João Brasil é o new raver brasileiro? O rapaz é TENDÊNCIA. O caderno Ela (encarte de moda d'O Globo) pediu pra ele dizer o que é cool, uma vez. Aparentemente, cool é flertar com o brega, como João faz em absolutamente todas as suas faixas (e como a Calzone, festa DESCOLÊ da qual ele já participou algumas vezes, faz o tempo todo). Cool é declarar ser formado em música pela universidade de Berklee e fazer músicas que lembram Latino: irresistíveis na pista de dança. O show também vai ser irresistível? Arrasa. João Brasil faz o segundo show da sexta, 11/1.


Superguidis - "O Banana"



5. Em 2006, os Superguidis lançaram seu primeiro álbum, mostrando como era o novo rock gaúcho. O aspecto retrô estava lá, a sensibilidade pop e o bom-humor também. Mas havia um pouco mais de espontaneidade, uma nova leveza e, no caso dos Guidis, um sotaque indie rock anos 90 bem forte. Em 2007, veio o segundo disco, mais tenso, mais amargo (como já estava no título, "A Amarga Sinfonia do Superstar"). Estaria tudo perdido? Vejamos o show. Os Superguidis são a primeira banda da sexta, 18/1.

Roberta Sá - "Pelas Tabelas"



6. Roberta Sá é A nova voz da música carioca. Certamente há muitas concorrentes, mas nenhuma outra tem o que Roberta tem: a voz doce e afinada, o interesse por novos compositores, a reverência ao passado da música brasileira, o gosto por um certo escapismo, os vestidos floridos e longos. Seus dois discos são preciosamente produzidos, para serem escutados calmamente. Tanta calma funciona no palco? Pelo menos a gente sabe que ela é afinada. Roberta Sá faz o segundo show da sexta, 04/1.

+ Todos esses shows acontecem na Sala Baden Powell (Avenida Nossa Senhora de Copacabana, 360), sempre a partir de 19h, por R$24 ou R$12. Além dos shows, o Humaitá Pra Peixe 2007 tem debates, oficinas, entrevistas e lançamentos de discos. A programação está na página do festival.

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19 de ago. de 2007

Sete seria um número mais interessante, né? Mas, a seguir, 6 shows pelos quais a gente tem que ir a Cuiabá para o Calango 2007.

1 Já ganhou! Troféu diversão para a Revoltz. Eles se formaram, a rigor, em Cuiabá e agora moram em São Paulo. O grupo tem um site estiloso e quase hipnótico (clica no nome deles no texto!), um disco lançado neste ano que é tipo new wave lo-fi, canções de melodia fácil e letras que são quase o sonho indie: sexo, romancezinhos, drogas, filmes e bandas de rock. Melhor! Pelo que pareceu no Festival Fora do Eixo, (foi em março e em São Paulo, leia aqui!), o show está afiado. O suficiente para fazer uns passinhos punk, bater a cabeça, gritar, dançar e cantar junto.
Tomara -> As músicas mais dançantes e mais cantáveis, como "A Chinesa", "Arnoldileine" e "O Capítulo". Há sempre a possibilidade do Daniel Belleza, que é fã do grupo, aparecer no palco.
Sei lá -> Algumas canções tem influências mais anos '60, let's twist again. E, às vezes, eles tocam tão rápido que não dá nem pra se mexer.
Para dar um beijo no escuro em cima do muro ou subir no capô quando a banda se apresentar e dar um mosh bonito
. (A última frase contém referências para os fãs de Revoltz. Saiba mais aqui!) O clipe de "Ritalina", música que estava no EP "A Chinesa", de 2005, existe mais ou menos há um ano e aparece aqui e agora.



2 Já ganhou! Troféu lágrimas e emoção. É muito simples. As canções do Vanguart jogam pesado com solidão, melancolia, amores, nas letras e nas melodias que as envolvem. Vai ser o primeiro show do grupo em Cuiabá (de onde eles saíram, agora moram em São Paulo) depois do lançamento do disco via Outracoisa. São os heróis voltando à cidade que eles têm colocado na televisão (na verdade, mais na web tv. mas, enfim). O show no Calango de 2005, com o maior público da noite, já foi bem emocionante: e isso foi antes da MTV. Ah, nada como ídolos.
Tomara -> A coisa mais emocionante de um show do Vanguart in Cuyaba é a relação do público local com a banda. Melhor se todo mundo gritar descontroladamente em "Semáforo", se rolar "Para Abrir Os Olhos" e muita coisa do disco e se a banda acelerar e colocar peso em tudo, o que acontece em ocasiões especiais.
Sei lá -> Tem uma versão para "I Will Survive" no repertório que ficou bem... disco! com o passar do tempo. E o violão do Helio tem uma vocação incrível para arrebentar cordas, desafinar e outras coisas, criando uns silêncios no meio do show.
Para abrir os olhos
. (Cara... referência, de novo! Mas essa está logo abaixo)





3 Eles ainda não ganharam nada, mas talvez a Pública ganhe um VMB. O mesmo prêmio que talvez o Vanguart leve. Qualquer uma das bandas sendo vencedora, é uma celebração do bom momento da canção no independente brasileiro. Aliás, "Polaris", o disco que a banda gaúcha lançou no final do ano passado é, ele todo, uma celebração da canção, melodia, letras e detalhismo. Ao vivo, a psicodelia que mais se insinua no disco ganha cores. Às canções de "Polaris" juntam-se algumas inéditas, mais intensas. Baixista corre de um lado para o outro, feito louco, guitarrista e baixista fazem duelos... Rock!
Tomara -> Que toquem as músicas novas: a canção dançante e sem nome que é guiada pelo tecladista Amaro, e a intensa e climática "Luzes", que pode fechar o show. Que toquem, do disco, "Das Falsas Intenções" e "Long Plays", essa, melhor com todo mundo cantando junto.
Sei Lá -> A
Pública está escalada para tocar entre as locais e barulhentas (tanto em guitarras quanto em torcida) Macaco Bong e Lord Crossroads.
Para comprar uma bicicleta e ir viajar. (É isso mesmo!)

4 Já ganhou! Troféu garrafa de cerveja quebrada cortando a pele do abdôme. E isso é só uma das coisas que podem acontecer num show de Daniel Belleza & Os Corações Em Fúria. Pode ser uma garrafa de uísque também, por exemplo. Nos últimos anos, o grupo tem feito algumas das mais intensas apresentações ao vivo do independente brasileiro, indo além do jogo de cena bem calculado de coturnos e boás. Agora, eles se preparam para o lançamento do segundo disco, que deve vir mais diverso, com novas referências.
Tomara -> Tudo o que é necessário é que eles subam ao palco, pelo que parece. Ajuda se o som realçar o baixo quase tribal (bem verdade, poucas tribos têm contrabaixos elétricos) de Rangel.
Sei lá ->
Em entrevista, Daniel já disse que o novo disco viria mais calmo e o novo show menos produzido.
Para fazer sexo com alguém ou consigo mesmo, ferir fisicamente alguém ou a si mesmo, provocar a desordem e o caos e conhecer a commodity mais valiosa de Cuiabá. (Dica: não é a típica farofa de banana, mas tem a ver)


DBCF no Calango 2005 em foto tirada do Flickr do sensacional Vini Mania. Atenção: tem algo escrito na barriga do Daniel.

5 Tem alguém soltando o batidão, alguém violentando uma guitarra e um terceiro cara gritando sobre sexo, drogas e coisas realmente incompreensíveis, rebolando e tirando a roupa. Com essa fórmula, o Montage tem circulado de desfiles de moda a festivais de rock independente sem escorrer o make. SE JOGA.
Tomara -> Tem que rolar "Benflogin" (pode ser com ou sem as aspas).
Sei lá -> Sei lá.
Para arrasar na produ, se jogar muito e fazer uma ou duas coisas da lista do
Daniel Belleza ali em cima, só que mantendo o estilo.

6 Foi mais ou menos como uma aparição. Uma banda pouco conhecida abriria o segundo dia de Festival Fora do Eixo. Ninguém esperava o trip-hop d'O Quarto Das Cinzas, a vocalista de gestos e voz delicados ou a luz sobre seu vestido claro, que parecia idéia de um iluminador de filme bíblico.
Tomara -> Talvez conquistar platéias desavisadas seja um truque clássico do repertório do grupo.
Sei lá -> O som cheio de detalhes e silêncios d'
O Quarto Das Cinzas vai funcionar numa arena como a do Calango?
Para levitar.

- A programação completa do
Calango está na página do festival.

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